Chofer. Primeira Uber portuguesa já opera em Lisboa, Porto e no Algarve

Chofer. Primeira Uber portuguesa já opera em Lisboa, Porto e no Algarve

Artigo original por: OBSERVADOR

Os dois fundadores da Chofer são portugueses, mas não querem revelar a sua identidade. A empresa foi lançada com recurso a capitais próprios

Não querem dar a cara, mas os fundadores da Chofer arrancam esta terça-feira com aquela que é a primeira empresa portuguesa a fazer concorrência à Uber e à Cabify. A Chofer é uma aplicação desenvolvida em Portugal que se estreia a 1 de agosto em Lisboa, no Porto e no Algarve. Está disponível para o sistemas operativos Android e iOS e o objetivo é chegar “para breve” a Espanha, Brasil, Reino Unido e Rússia.

Isenta de tarifa dinâmica, tal como a Cabify, o preço das viagens efetuadas através da Chofer não se altera com o aumento da procura. O preço da viagem é definido quando o utilizador coloca o destino na aplicação e mantém-se inalterado independentemente do tempo que demore efetivamente. A empresa cobra um euro de tarifa base na opção Económico, mais 10 cêntimos por minuto (estimado) e 65 cêntimos por quilómetro percorrido. No mínimo, todas as viagens custam 2,50 euros.

Na opção Executivo, a tarifa base sobe para dois euros, o custo por minuto sobe para 40 cêntimos e o custo por quilómetro sobe para um euro. A tarifa mínima ou de cancelamento é de seis euros e o pagamento, em ambas as opções, é feito através do cartão registado na aplicação. As empresas também têm a possibilidade de aderir à opção Chofer Business.

Na app da startup portuguesa, também é possível agendar viagens com uma antecedência de 24 horas. Logo no momento em que é feita a reserva, o utilizador fica a saber quem é o motorista e o carro que o vai buscar. Mais: na Chofer, é possível marcar motoristas como “favoritos”, fazendo com que o algoritmo da app os privilegie em função dos outros.

Quanto ao modelo de negócio, fonte oficial da startup explicou ao Observador que as empresas e motoristas parceiras da empresa (tal como a Uber e a Cabify, a Chofer trabalha com empresas licenciadas para o transporte de passageiros com motorista privado, como são as de animação turística ou os rent-a-car) pagam uma taxa de 20% à startup por cada viagem efetuada.

Sobre as 729 multas por contraordenação que já foram aplicadas a motoristas Uber e Cabify entre 26 de novembro de 2016 e Julho de 2017, fonte da Chofer diz que “não existe receio nenhum”.

A empresa está a seguir todos os trâmites legais exigidos para operar no mercado português. Os motoristas são licenciados, cumprem com todas as normas. Não é algo que nos preocupe”, afirmou. E se os motoristas forem vítimas de novas ações de fiscalização da PSP? “Provavelmente, vamos contestar”, reforçou.

A PSP promoveu 328 ações de fiscalização a nível nacional, que tiveram como principal alvo os motoristas de plataformas como a Uber e a Cabify. Em oito meses, foram detetadas 1.128 infrações às regras legais vigentes, que levaram à aplicação de 729 multas por contraordenações. O valor das coimas aplicadas pode oscilar entre 5 mil e 15 mil euros.

Alei que está na base das operações de fiscalização, que incide sobre o serviço de táxi ilegal, inclui, desde novembro de 2016, pela primeira vez, os serviços prestados através de plataformas eletrónicas. Se, para a PSP, isto abre a porta a veículos que prestem serviço para a Uber e para a Cabify, para estas operadoras, não. Os responsáveis da Uber e da Cabify em Portugal afirmam que o serviço que as empresas parceiras partilham não se inclui na designação do “serviço de táxi” e que, como tal, não pode ser multado no âmbito de uma lei que versa sobre a atividade deste setor.

Entretanto, a PSP tem ordem explícita para multar estes veículos até que a proposta de regulamentação que incide sobre os veículos descaracterizados (onde se incluem este tipo de empresas) seja aprovada e publicada em Diário da República. Neste momento, estão para discussão na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas várias propostas de regulamentação (de todos os grupos parlamentares), mas questões centrais como uma eventual contingentação (limite de carros que podem operar no mercado) está a impedir os partidos de chegar a um consenso.

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