“Portugal é um país onde tudo o que fazemos se centra à volta de uma mesa”

“Portugal é um país onde tudo o que fazemos se centra à volta de uma mesa”

Artigo original 16 Agosto 2017 por: Com Grande Consumo

Em 2008 nascia em Delí, na Índia, aquilo que viria a tornar-se uma revolução no mundo dos bares e restauração. O guia Zomato chegou a Portugal em 2014 e é já bem conhecido de todos os portugueses. Consultar horários de funcionamento, ementas e preços, mapas de localização, contactos, fotografias e avaliações fazem da Zomato uma plataforma de referência no que a restaurantes e bares diz respeito. Portugal é já o segundo melhor mercado mundial para a Zomato e Lisboa a sede da empresa para a Europa. Em entrevista à Grande Consumo, Miguel Ribeiro, Country Manager da Zomato, fala-nos do sucesso da plataforma, da sua entrada em Portugal e dos projetos futuros. 

Grande Consumo – A Zomato chegou a Portugal em 2014 e, três anos depois, é já é conhecida pela maioria dos portugueses. Como é que esta “criação” indiana chegou até nós?
Miguel Ribeiro –
 Antes de entrar para a Zomato, estava a pensar criar o meu próprio negócio. Uma hora depois de ter enviado um e-mail para uma empresa na Índia que não conhecia, mas na qual vi potencial, recebi uma mensagem do CEO a convidar-me para uma conversa via Skype. Após 10 minutos, desafiou-me para largar tudo e ir para a Índia daí a duas semanas. Ajudá-lo a mudar o mundo.
Foi numa viagem de comboio entre Cascais e o Cais do Sodré que começou esta aventura. Em novembro de 2013, aterrava em Nova Delí, na Índia, para me sentar com Deepinder Goyal, o CEO da Zomato, fundada em 2008. Três meses mais tarde, Portugal seria o destino de embarque para fundar de raiz as operações em Lisboa. Estávamos em fevereiro de 2014.
Tal como em todos os países em que estamos presentes, colocámos em prática o conceito de “Feet on street”, visitando e registando todos os espaços existentes em toda e cada rua da cidade, com uma equipa de 25 pessoas no terreno (13 membros nacionais e 12 da equipa indiana) a recolher informação em todos os restaurantes, cafés, bares e “nightlife” durante três semanas. Esta equipa está agora diariamente nas ruas para garantir que recolhe os dados atualizados e em primeira mão. Isto é essencial para que os nossos utilizadores voltem a usar o produto e confiem na informação disponibilizada.
Começámos por lançar a zona da Grande Lisboa, onde temos listados, ao dia de hoje, cerca de 14 mil espaços de restauração (Lisboa, Cascais, Oeiras, Sintra, Odivelas, Loures, Amadora, Torres Vedras, Mafra e Ericeira). Em junho de 2015, expandimos a nossa presença em Portugal com o lançamento de operações no distrito do Porto (Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos Sul) e, em dezembro do mesmo ano, chegámos aos principais centros urbanos do distrito de Setúbal (Almada, Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal).
Em setembro de 2015, acumulei a função de Head of Growth of Europe e Portugal tornou-se a sede europeia da Zomato e a plataforma de apoio ao crescimento a nível europeu, bem como a países da América Latina, como o Brasil e o Chile. A partir de Portugal, garantimos o apoio operacional, formação e de expansão. A nossa equipa esteve ainda envolvida no lançamento de produtos em todos os países da Europa em que a Zomato está presente. A equipa portuguesa esteve também envolvida no lançamento das operações de países como a Polónia, República Checa, Eslováquia, Itália, Irlanda e Reino Unido. 

GC – Atualmente, a Zomato está presente em 24 países de todo o mundo. Portugal é, a seguir ao Dubai, o segundo mercado com maior taxa de penetração no seu público-alvo. Que razões encontra para explicar este sucesso tão grande?
MR 
– Portugal é um país onde tudo o que fazemos se centra à volta de uma mesa. A nossa paixão pela comida ajudou muito no sucesso e visibilidade da nossa plataforma. Somos também um povo “App Savvy”, muito virados para as novas tecnologias e, tipicamente, os portugueses gostam de testar novas e várias apps. A alta taxa de utilização de smartphones e excelente acesso a redes WiFi 3/4G ajudou também na forte e rápida adesão à Zomato. Vemos também que muitos locais na cidade têm acesso gratuito a Wi-fi. Todos estes fatores ajudaram-nos a alcançar uma rápida visibilidade e excelente taxa de penetração na cidade de Lisboa. 

GC – A Zomato aparece como uma resposta aos novos “foodies” ou é o aparecimento da Zomato que vem potenciar o aparecimento/crescimentos deste fenómeno?
MR –
 Os portugueses sempre gostaram de comer e de partilhar a mesa para discutir negócios, pôr a conversa em dia e reunir amigos e família. Com o crescimento da era digital, a fome de partilhar, fotografar, registar todos os momentos online, em tempo real, foi crescendo também. Com quem, onde e o que estás a comer passou a ser acompanhado de perto nas redes sociais. Os novos restaurantes passaram a ter maior divulgação e as pessoas ganharam interesse pelo que é novo e “trendy”.
O que faltava era uma plataforma que ligasse estas pessoas e as suas vontades de escrever e partilhar as suas experiências. O lançamento de uma app de descoberta de restaurantes com uma forte vertente social veio ao encontro das necessidades destes chamados “foodies”, que não tinham uma plataforma tão segmentada como a Zomato onde pudessem partilhar as suas experiências.

GC – Em Portugal é conhecida a expressão “os olhos também comem”. A partilha constante de fotografias como forma de autoexpressão é uma tendência que veio para ficar?
MR –
 Sim, claramente. A prova está nas mais de 22 mil fotos que são publicadas na Zomato todos os dias, só em Lisboa. Este é um número que tem crescido todos os meses e, acreditamos, que continuará a crescer.

GC – O guia de restaurantes Zomato permite aos utilizadores pesquisar informações como contactos, horário de funcionamento, ementa, etc. Para além disto, é possível visualizar as fotografias de outros utilizadores, bem como as suas críticas ao local. Se tivesse de destacar um destes fatores como a maior “mais-valia” da Zomato qual seria? Porquê?
MR – 
A grande vantagem da Zomato é a possibilidade de ter no meu bolso todos os dias acesso a mais de 14 mil restaurantes em Lisboa. Toda a informação que preciso para tomar a minha decisão de onde vou almoçar ou jantar está na ponta dos meus dedos. Esta é a minha opinião pessoal.
Porém, também sabemos que o conteúdo que as pessoas mais pesquisam e onde despendem mais tempo é com os menus dos restaurantes. É dos fatores mais condicionantes na escolha de um restaurante perceber que pratos são servidos e se vão ao encontro daquilo que me apetece. Têm menus de grupo? Quais são as opções? Pratos vegetarianos e sem glúten?
A recolha das informações é feita diariamente pela equipa de conteúdo, eles garantem que toda a informação visível nas páginas está atualizada, de forma a garantir a melhor experiência por parte de todos os que procuram um restaurante. Os horários e a localização são também os campos mais pesquisados. 

GC – Atualmente, em Portugal, é possível utilizar a Zomato nas zonas da Grande Lisboa e Grande Porto. Os consumidores, ou mais exatamente aquilo que procuram, são muito diferentes a norte e a sul?
MR – 
Não, a maior diferença é mesmo a expressão que temos comparando entre uma cidade e outra. Em Lisboa, encontramos três vezes mais restaurantes listados do que no Porto.
No Porto, as pessoas escrevem mais opiniões e partilham menos fotos, quando comparado com os números de Lisboa.
Parece-nos que no Porto as pessoas gostam de escrever e partilhar a sua experiência mais por palavras do que por imagens. Em Lisboa, os utilizadores que escrevem uma opinião anexam-lhe várias fotos. No Porto, optam muitas vezes por publicar só uma. Assistimos também a uma tendência em Lisboa, de alguns utilizadores que apenas partilham fotografias no seu perfil, mas que não escrevem opiniões; no Porto, essa percentagem é muito inferior. 

GC – Com escritórios em Lisboa e no Porto, quantas pessoas emprega atualmente a Zomato em Portugal?
MR –
 A Zomato tem dois mil colaboradores em 23 países, dos quais 40 trabalham em Lisboa e no Porto. 

GC – A multinacional indiana Zomato escolheu Lisboa para ser a sede da empresa na Europa. Porquê?
MR – 
Para além dos aspetos já mencionados, a localização geográfica de Lisboa e fácil acesso aos principais aeroportos da Europa fazem com que Portugal seja um país apetecível para investimento, para além de ser um país com pessoas altamente qualificadas que se alinham perfeitamente no espírito de missão que a Zomato tem em termos de expansão global.

GC – Faz parte dos planos expandir a Zomato para outras cidades portuguesas?
MR – 
Temos uma política de proximidade com os utilizadores Zomato e, desde cedo, que pedimos o feedback para saber o que temos de melhorar. A expansão para outras cidades é, sem dúvida, uma das sugestões mais recorrentes. Queremos ser uma plataforma com cobertura nacional, mas, para podermos dar os próximos passos, precisamos de garantir a excelência de conteúdo a que habituámos os nossos utilizadores. Sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer em Lisboa e no Porto e a terceira zona do país que planeamos cobrir será o Algarve, não tendo, para já, datas definidas de lançamento. 

GC – Os últimos dados referentes à Zomato dão conta de 600 mil visualizações por mês, mais de 200 mil opiniões e 650 mil fotografias partilhadas. Que panorama se pode ver atualmente?
MR – 
Em três anos, contamos com mais de 670 mil downloads da app em Portugal, ultrapassámos os 15 milhões de pageviews e mais de um milhão de utilizadores únicos por mês. Em Portugal, 4.664 utilizadores atingiram os níveis de Big Foodie e Super Foodie, o que significa que alguns destes utilizadores visitaram mais de 500 restaurantes na cidade e partilharam mais de sete mil fotografias.
Sabemos que o género feminino de faixa etária 25-35 anos predomina no ranking. No entanto, os homens são cada vez mais críticos e têm vindo a conquistar o seu lugar no leaderboard Zomato. São pessoas que adoram tecnologia, aplicações e novidades nesta área – são “tech savy”. Para além disso, são pessoas que têm gosto pela gastronomia, por viajar e que gostam de partilhar as suas experiências nas redes sociais. 

GC – Para os utilizadores da Zomato, enquanto consumidores, o benefício é óbvio. No caso dos restaurantes, bares, etc., existem “resultados comprovados” de que o negócio tenha melhorado?
MR – 
Temos casos em que os donos dos restaurantes nos mostram que a Zomato já representa mais de 60% do seu negócio. Estes dados são comprovados e verificados através de ferramentas que a Zomato oferece aos seus clientes. Com esta informação, cada restaurante consegue ver que tipo de comunicação está a funcionar e onde, conseguindo, assim, afiná-la e direcioná-la de forma mais eficiente.
Assistimos claramente a um aumento no tráfego e reconhecimento de restaurantes que se tornam nossos parceiros. As decisões dos utilizadores são cada vez mais tomadas “on the go”, por essa razão a Zomato torna-se uma ferramenta preferencial para pessoas que procuram onde comer e têm um smartphone na mão. 

GC- Na ótica dos proprietários de restaurantes, como é que se processa a criação de um perfil na Zomato? Tem custos?
MR –
 Qualquer espaço de restauração aberto ao público (nas áreas abrangidas pela Zomato) tem uma página na plataforma. Esta recolha de conteúdos para posterior listagem pode ser feita presencialmente, pela equipa de conteúdo ou equipa comercial, ou ainda chegar-nos por sugestão de utilizadores ou do proprietário do próprio espaço. Os restaurantes estão listados sem qualquer tipo de custo associado. 

GC – Recentemente podemos observar nas redes sociais, e especialmente na Zomato, o aparecimento de fenómenos como o brunch ou a febre do sushi. São as plataformas que criam estes fenómenos?
MR –
 Podem ajudar de certa forma. Por um lado, o aparecimento de restaurantes com novos conceitos ou tipos de cozinha de outros países ajuda a criar a própria concorrência. Conceitos vencedores lá fora podem ser conceitos vencedores aqui. Tem sido uma tendência esta vontade de experimentar, quer por parte dos restaurantes como por parte dos clientes. Se pusermos um pé fora de Portugal e viajarmos pela Europa percebemos de onde veio alguma inspiração para o que se faz hoje em dia em restauração.
A Zomato acompanha diariamente todas as opiniões escritas, sabe o que é que as pessoas experimentam, o que mais valorizam cada vez que comem fora, seja a nível de atendimento, serviço, sabores e ementa. Conseguimos perceber se existem picos de procura ou sintomas de febre na restauração. Procuramos muitas vezes facilitar a pesquisa dos nossos utilizadores em relação a determinados temas e trabalhar em conteúdos quentes e, até, antecipar tendências.

GC – O que seria um bom ano de 2017 para a Zomato? O que se pode esperar da Zomato nos próximos anos?
MR 
– 2017 foi o ano de lançamento do Zomato Gold, um clube exclusivo de experiências e benefícios direcionado para os utilizadores que valorizam experiências gastronómicas. A pensar em quem não resiste a boa comida, convidámos um universo de 300 restaurantes muito selecionados em Lisboa para fazerem parte deste clube exclusivo. Procuramos trazer um produto fresco e arrojado para juntar um clube de pessoas que valorizam o que há de melhor nos nossos restaurantes. Está tudo dentro da app da Zomato e pode ser usado a qualquer dia, a qualquer hora. 
À volta deste produto teremos muitas novidades, eventos e surpresas. Acreditamos que, com o Zomato Gold, vamos criar uma nova tendência em Portugal.

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