Ouve-se música portuguesa no South by Southwest

Ouve-se música portuguesa no South by Southwest

Artigo original 26 Março 2018 por: Diário de Notícias

Três artistas e a Why Portugal, plataforma especializada na promoção da exportação de música portuguesa, marcam presença.

Da Chick, Surma e Holly são os projetos musicais portugueses que se apresentam nesta semana no mítico festival South by Southwest, em Austin. Neste ano há menos artistas nacionais a darem concertos – foram seis no ano passado – mas a plataforma de promoção Why Portugal está presente para garantir que a música portuguesa continua em trajetória ascendente no panorama internacional.

Criada há três anos para promover a exportação dos sons nacionais, a Why Portugal acaba de ser convidada para integrar a direção de uma nova rede europeia, a European Music Exporters Exchange. E isso, para o diretor executivo Nuno Ribeiro Saraiva, é prova de que o mercado está num momento de inflexão. “Se até agora Portugal era bastante desconhecido no circuito internacional, começa-se a perceber que temos várias estéticas válidas a internacionalizar e começa a haver esse reconhecimento”, explicou ao DN o responsável, que está em Austin até amanhã.

“Todos os três artistas estão bem diferenciados, não só em termos estéticos mas também de fase de carreira”, diz o executivo. “Holly teve uma abordagem de vir para os Estados Unidos e construir uma carreira cá, enquanto Da Chick esteve no Eurosonic, já fez algumas investidas para construir a sua equipa internacional e é essa a missão dela aqui em Austin, está a desbravar caminho.” Da Chick, aliás, mudou-se temporariamente para Los Angeles.

“É mais para me inspirar e sair um pouco da minha zona de conforto em Lisboa. Aprender, crescer e fazer algum networking acima de tudo”, diz ao DN. A presença no South by Southwest será, por isso, uma boa plataforma de promoção. “Nesta fase da minha vida e carreira, quero experienciar ao máximo estas oportunidades que o SXSW traz”, refere a artista, que toca hoje no The Iron Bar. “Conhecer pessoas, artistas, partilhar música, histórias e desenvolver o meu trabalho. Para mim é mais uma forma de espalhar a Da Chick por esse mundo fora e aprender com outros artistas com o mesmo mindset.”

A outra artista é Surma, que toca hoje no The Hideout e cuja sonoridade eletrónica distinta lhe tem valido números bastante interessantes ao nível de seguidores online e streams no Spotify. “Está tudo muito bem encaminhado”, refere o diretor da Why Portugal. Já Holly atuou nesta madrugada no Plush.

Ao contrário de outros festivais na Europa, o South by Southwest não é um palco para artistas que estão em fases incipientes e sem estrutura de apoio, o que torna o processo de seleção extremamente competitivo. O seu efeito também é duradouro: “Por exemplo, o Riverbend Festival, que é a maior feira na Alemanha, vem todos os anos ao SXSW fazer networking informal”, explica Nuno Ribeiro Saraiva. “É muitas vezes aqui que se decidem depois os showcases que vão acontecer no Riverbend em setembro.”

Estas ligações do circuito internacional tornam a participação anual num imperativo. “A manutenção das redes de contactos internacionais nas quais participamos tem de ser feita pessoalmente e neste circuito”, diz o diretor da Why Portugal. “Se estivéssemos ausentes do SXSW seria estranho.” No ano passado, a plataforma teve um stand direto no trade show, mas desta vez foi integrada na comitiva da Startup Portugal. “Estamos com uma delegação que mistura startups de base tecnológica com projetos mais da área cultural, como é o caso da agência que organiza o festival de curtas de Vila do Conde, do Theatro Circo e da Why Portugal”, explicita a diretora da Startup Portugal, Maria Miguel Ferreira.

Um dos principais eventos em que a Why Portugal participa é uma reunião de Global Exporters, gabinetes de exportação da música de todo o mundo com missão semelhante. “A plataforma tem vários mecanismos de ação e apoio”, afirma Nuno Ribeiro Saraiva, explicando que um dos propósitos é “organizar missões externas entre o setor privado da indústria da música, os artistas da nova música portuguesa e as instituições que os querem apoiar”. Por exemplo, se alguém quiser conhecer o ecossistema de um determinado país, a Why Portugal contacta a congénere e mapeia o caminho potencial do artista naquele território.

O que a Why Portugal também consegue fazer é alavancar descontos profissionais nas feiras, facilitando a participação para os artistas, agentes e editoras. Além disso, foi criado pela Fundação GDA um novo sistema para os showcases internacionais. Trata-se de apoio financeiro para as viagens, dado aos artistas que atuam em eventos de natureza profissional como o SXSW. “Foi uma coisa que nunca existiu em Portugal e começou no início deste ano. É um game changer, um passo muito positivo para a internacionalização”, considera. Passará a haver uma lista de eventos pré-qualificados para esse apoio, estando neste ano um dos focos no Waves Viena 2018 porque o festival austríaco convidou Portugal para ser o país de destaque.

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