Geoestratégia do Mundo em 2019 – Palestra Dr. Paulo Portas

Geoestratégia do Mundo em 2019 – Palestra Dr. Paulo Portas

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Foi com grande expectativa e sala cheia que empresários portugueses, membros do governo, representantes diplomáticos internacionais, investidores e demais convidados e associados da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa tiveram o prazer de ouvir as considerações do Dr. Paulo Portas sobre Geoestratégia do Mundo em 2019.

Reveal Portugal

No dia 25 de Janeiro, no decorrer de um requintado pequeno-almoço, e após apresentação do tema e posicionamento da CCIP, por parte do seu presidente Dr. Bruno Bobone, o Dr. Paulo Portas iniciou a análise quer quantitativa quer qualitativa sobre o estado e possível evolução do mundo e da economia, abordando temas pertinentes como a nova ordem económica, globalização e era digital, entre outros.

E embora tenha mencionado, aquilo que classificou como “realismo preocupante” neste início de 2019, com previsível desaceleração da zona euro e eventual decréscimo do desenvolvimento global, de acordo com estudos e análises quantitativas, toda a palestra foi pautada por uma tónica de esperança e de olhar o mundo com reposicionamento das zonas de crescimento económico e social.

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De facto, e de acordo com o Dr. Paulo Portas, importa estar particularmente atento a países como Índia, com o maior crescimento previsto, Brasil que conseguiu fazer um duro ajustamento, evitando a insolvência e ajuda externa, tendo uma previsão de crescimento e factores macro-económicos interessantes, os países de África Subsaariana que não dependem de Portugal nem do petróleo e que estão em franco desenvolvimento, Angola que está com uma economia mais atrativa, alguns países da Europa, como República Checa e Polónia, sem nos esquecermos que a economia está cada vez mais asiática e menos eurocêntrica, tal como assegura o relatório do World Economic Forum.

A temática da globalização na ordem económica é por natureza imprevisível, tendo o risco e o crescimento migrado para a Ásia.

A era do digital, de acordo com o orador, não é um assunto tecnológico ou técnico, mas sim um utensílio estratégico fundamental, determinante no concurso das superpotências no mundo, sendo disso um exemplo a tensão China/Estados Unidos. O digital é universal e sem fronteiras, com exceção da China, mas que também está a começar a perceber que sem digital não será possível tornar-se uma superpotência.

Quanto às questões para 2019 importa atender ao seguinte: se as tréguas China/EUA vão tornar-se um acordo bilateral; se o “shutdown” do governo EUA (não sendo historicamente o primeiro) terá consequências mundiais; e qual será o desenrolar do impasse da União Europeia, quer quanto ao desfecho do Brexit e, reposicionamento comercial do Reino Unido, quer quanto à Alemanha, França e Itália do ponto de vista económico, eleitoral e de políticas sociais, incluindo a realidade das migrações.

 

Como conclusão, o Dr. Paulo Portas, salientou que algumas das razões de esperança, para 2019, são os países emergentes de África, Ásia, América Latina e que importa valorizar uma das melhores culturas diplomáticas do mundo: o Vaticano.

De facto, importa prestar atenção à actividade do líder da Igreja Católica, que terá um acordo com a China e que esteve no Panamá nas Jornadas da Juventude onde anunciou que as próximas Jornadas de 2022 serão em Portugal, tendo como um dos objectivos a presença dos peregrinos de África. O Papa também vai estar no Japão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sínodo da Amazónia.

“Olhemos as peregrinações do Papa e vejamos onde está o futuro!”

Não tanto na Europa, mas na Ásia, América Latina e África.

 

Escrito por: Sara Vieira

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