Uma horta suspensa no coração do Porto

Uma horta suspensa no coração do Porto

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Artigo original 16 Outubro 2017 por: SAPO 24

No centro da Invicta onde anteriormente estava instalado um “Putting Green” para treinos de golfe está hoje uma horta urbana. Em 300 m2 no terraço do Crowne Plaza Porto, alfaces, ervas aromáticas, cenouras, cebolas, rabanetes, frutos vermelhos, batata-doce, cherovia e flores comestíveis saem diretamente da horta para o restaurante Poivron Rouge.

Uma horta em plena Avenida da Boavista, na cidade do Porto. Dito assim, a seco, alguém poderia pensar tratar-se de uma brincadeira ou estarmos a imaginar uma eventual ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que decidiram mudar-se do Brasil para o centro da Invicta. Mas não. Não é nem imaginação nem brincadeira. É a mais pura das verdades. De uma nova realidade.

No número 1466, no Crowne Plaza Porto, unidade hoteleira de 5 estrelas, num terraço outrora utilizado para dar umas curtas tacadas de treinos de golfe (Putting Green) ergue-se agora uma horta urbana.
Suspensa, ao nível do quatro andar e com vista para a longa avenida que rasga o coração do Porto, é a maior horta urbana do país, com 25 espaços de cultivo concentrados em 300 m2.

“Cada módulo tem 125 cm de largura, por 125 cm de comprimento e 35 cm de altura e uma capacidade de 400 litros de substrato, 90 litros de água e 12 de argila expandida”, descreve Mário Carvalho Diretor do Departamento Food & Beverage do hotel.

O pedaço de agricultura no terraço do Crowne Plaza foi instalado pela Noocity Ecologia Urbana, uma startup portuguesa sediada no Porto que, desde 2014, tem acompanhado a tendência crescente da agricultura urbana um pouco por todo o mundo.

A Noocity Growbed, cama de cultivo, contém um sistema de auto-rega que permite uma poupança de água global até 80%, retendo as águas da chuva e um sistema de sub-irrigação que permite uma autonomia de rega até 3 semanas.

À sazonalidade das alfaces, cebolas, frutos-vermelhos junta-se a exclusividade da cherovia

Com as necessidades da cozinha a ditarem a lei, os produtos são servidos e colhidos diretamente da horta. A sazonalidade é um dos critérios em cima da mesa na hora da escolha de plantar.

“As alfaces, as cebolas, os frutos-vermelhos… é importante respeitar a sazonalidade dos alimentos e semear os produtos em conformidade”, frisa Jorge Sousa, chefe do Restaurante Poivron Rouge. A estes, acrescentam o tomate, ervas aromáticas, cenouras, cebolas, rabanetes, batata-doce e flores comestíveis, com as primeiras colheitas prevista para o mês de dezembro.

A exclusividade entra também nesta equação. “O facto de o restaurante ter acesso à sua própria horta, permite-nos, ainda, semear alguns produtos que não se encontram facilmente no mercado — pelo menos com a qualidade que exigimos. Como exemplo, a cherovia, uma raiz que utilizamos em alguns pratos como substituto da hortaliça por ter um sabor mais intenso”, acrescenta.

Moda ou talvez não, o chefe acredita que “as hortas urbanas são uma tendência crescente e que, certamente, veio para ficar”, sustenta. A finalizar, Mário Costa acrescenta ainda ser “possível que, ao longo dos próximos tempos, se acrescentem novos módulos e sejam semeados novos produtos”.

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