Mil milhões entram em seis meses

Mil milhões entram em seis meses

Artigo original por: Expresso Economia

Investidores estrangeiros diversificam 
o risco. Retalho 
e escritórios 
em alta, diz o barómetro da consultora Cushman & Wakefield

O turismo impulsionou 97% das novas aberturas de lojas em Lisboa e no Porto.

O impacto dos estrangeiros no imobiliário comercial português continua em alta. O balanço mais recente feito pelo barómetro Marketbeat Portugal, divulgado esta semana pela consultora Cushman & Wakefield (CW), dá conta de que, dos €1000 milhões transacionados no primeiro semestre deste ano em ativos comerciais (retalho, escritórios, logístico), 91% foi assegurado por estrangeiros.

Numa outra abordagem, na abertura de lojas para o comércio de rua, o foco volta a estar nos estrangeiros, não nos grandes fundos ou familly offices mas na ótica dos turistas que impulsionam a abertura de novas lojas. Diz o relatório que a “evolução muito positiva do comércio de rua não foi alheia à afirmação das cidades de Lisboa e Porto como destinos de turismo de referência na Europa. A concentração da quase totalidade (97%) das operações de comércio de rua nestas duas cidades é reflexo deste fenómeno”.

Dentro do comércio de rua, o sector de restauração foi o responsável pelo maior número de aberturas no primeiro semestre do ano. O sector da moda teve também um peso muito significativo, concentrando-se no formato de centros comerciais.

No investimento imobiliário, tal como no turismo, a diversidade é a palavra de ordem. Os €1000 milhões que entraram em Portugal nos últimos seis meses, com um montante médio de €50 milhões por operação, distribuem-se por investidores de diferentes origens, com os chineses, os sul-africanos, os holandeses e os britânicos, em destaque.

ATIVOS TÓXICOS 
TAMBÉM INTERESSAM

Diz o relatório que as “operações atualmente em curso no mercado ultrapassam os €3500 milhões, dos quais cerca de €1500 milhões poderão ser transacionados até ao final do ano, fazendo de 2017 o ano com maior volume de investimento na história do mercado imobiliário em Portugal”.

Mas a alteração nos investidores que hoje adquirem ativos imobiliários em Portugal não passou apenas pela origem do capital. Segundo Eric van Leuven, CEO da Cushaman, o perfil de investidor também mudou. Se no passado os chamados ativos core — edifícios já arrendados, com bons inquilinos e de rentabilidade segura — representavam uma importante parcela do mercado, o excesso de procura e a consequente escassez deste tipo de oferta estimulou a entrada de uma nova vaga de clientes com maior apetência ao risco.

“Falamos dos chamados investidores de perfil value add (valor acrescentado), dispostos a comprar ativos que necessitem de obras, que terminem edifícios inacabados. Investidores mais propensos a assumir riscos quer ao nível do produto quer ao nível de localização.”

A este crescendo de promoção/reabilitação de edifícios, que deverá consolidar-se no segundo semestre, junta-se outra tendência, que assenta na compra dos ativos tóxicos dos bancos.

Segundo Eric van Leuven, os investidores oportunistas não estão muito presentes nas aquisições diretas de ativos, mas têm vindo a aumentar a sua exposição ao imobiliário nacional através da compra deste tipo de carteira. “São os chamados NPL — non performing loans —, que se coadunam com o preço alvo que procuram. Os próximos meses podem ditar um aumento muito significativo deste tipo de operações, a pressão dos bancos nacionais para retirarem do seu balanço os ativos ditos tóxicos é crescente, e são várias as instituições financeiras que anunciaram já uma estratégia mais agressiva na alienação de portefólios imobiliários.”

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