É Matrafona!

É Matrafona!

Reveal Writers

Esta semana tudo se atrasou, a edição regular entrou em pausa pra mim e como acabei por aproveitar o Carnaval para umas férias, que melhor forma de revelar Portugal senão como Matrafona em Torres Vedras?

Para quem não sabe ou desconhece o Carnaval em Portugal não deriva da cópia que hoje se estende um pouco por todo o lado dessa folia tropical Brasileira.

É certo que “o samba da minha terra deixa a gente mole; quando se canta todo mundo bole, quando se canta todo mundo bole”, mas por cá são mais os caretos e gigantones de origem Pagã que nos fazem bulir. Soltam-se o belzebu e a longa tradição da troca de géneros marca o ponto da diversão. Elas são eles e eles, definitivamente, são elas.

Matrafonas em Torres | foto os30eeu

Por 5 dias, 4 noites, num Entrudo com direito a enterro de tradição, Torres Vedras transforma-se num corso de crítica social e política onde o palco popular a ela pertence. O som da farra popular que nas colunas do recinto se faz ouvir, toca incessantemente e se repete, nesse que de novidade se tornará num hino eterno do mais português dos carnavais. Aqui não bole, é bulir, e o Samba é da Matrafona

Ela tem hora de partida na Caravela; Só o final do Túnel a fará voltar; É Matrafona!; Ninguém se vai enganar

Entre ruas e vielas, a cidade de Torres metamorfoseia-se num delírio sem par, onde o que prevalece é a imaginação e o salto alto é garante de engodo, arrastado em meias onde os pelos, de facto não nos fazem enganar. Partam na Caravela, gelataria, existe e está lá, bebam o famoso cup, jantem no Mezza, vão de praça em praça, batam o pé e terminem no Túnel, a discoteca onde a tradição se renova na madrugada e as noites se fazem dia, “pulando animados nesse “Deus nos acuda”’
E para quem nunca foi que vá, mas marque Hotel, a cidade enche e sai mais barato comprar passe para o fim de semana que arriscar perder-se sem lugar para ficar. Tudo é barato, mas não corram o risco de ficar a pé.

Sobre autor

Francisco Moura Pinheiro

A minha vida poderia ser descrita como um Barroco Tropical. As minhas raízes Brasileiras, de uma Família politicamente exilada no Brasil, são da maior importância nas minhas referências culturais e na forma como escolho expressar-me no humor. O meu lema é urbano: perscrutando a cidade, entre saídas, procuro trabalho e o espanto que é estar nesta cidade à beira mar, rio a dentro, encaixada. A vida nem sempre me corre de feição mas faço-me a ela, sempre sem medo de saber poder migrar, na senda de que a saudade me traz de volta à terra que me viu nascer.

Your email address will not be published. Required fields are marked O teu endereço de email não vai ser publicado. Campos obrigatórios estão marcados.*