“Mini Davos” em Cascais abre porta a milhões em investimento

“Mini Davos” em Cascais abre porta a milhões em investimento

Artigo original 7 de Maio 2018 por: Dinheiro Vivo

Conferência Horasis junta centenas de empresários em Cascais. Investidores de todo o mundo admitem trazer negócios para Portugal

Antes de completar 30 anos, Paul Malicki já tinha dado a volta ao mundo. Nasceu na Polónia, estudou na Ásia, viveu na Suécia e assentou há quatro anos no Rio de Janeiro. “Mas é em Portugal que quero passar a reforma”, conta o empreendedor que a revista Forbes considerou em 2017 como um dos jovens mais promissores do mundo. Paul é co-fundador da Flapper, uma espécie de Uber da aviação privada. Por enquanto só sobrevoa os céus brasileiros, mas a Europa vai entrar na rota daqui a dois anos. Portugal faz parte dos planos.

“O que fazemos no Brasil é organizar voos privados partilhados, através de parcerias com empresas de táxi aéreo. Basta reservar um lugar na nossa aplicação. Temos mais de 100 aeronaves disponíveis para voos de curta duração”, explica o fundador ao DN/Dinheiro Vivo. O público alvo da Flapper é a classe média/alta. “Queremos provar que a aviação privada não é só para milionários. Os voos custam cerca de 150 euros, e temos viagens a 60 euros”. A plataforma nasceu em 2016 e já conta com 70 mil utilizadores. Estrelas das telenovelas das Globo ou o ex-futebolista Ronaldo estão entre os clientes fiéis.

Na quarta visita que faz a Portugal, Paul Malicki não tem dúvidas de que o país é para acrescentar à frota da Flapper. “Queremos aproveitar pequenos aeroportos que não recebem aviões comerciais, como aquele que existe aqui em Cascais, para operar voos charter”, adianta.

Enquanto não fecha negócio, o empreendedor polaco vai trocando cartões de visita no Centro de Congressos do Estoril. Paul Malicki é um dos mais de 600 convidados da Horasis Global Meeting, um encontro que pelo segundo ano consecutivo junta empresários, políticos e académicos de todo o mundo na vila de Cascais durante quatro dias.

Vêm todos a convite de Frank-Jürgen Richter, um alemão casado com uma portuguesa que antes de criar a Horasis, em 2005, fazia parte da organização do Forum Económico Mundial. Frank já não estranha as constantes comparações de Cascais com Davos, mas faz questão de sublinhar que não é só o clima que separa as duas localidades. “Não queremos comparar-nos a Davos, que existe há muitas décadas e está estabelecido. Nós somos o ‘miúdo novo do bairro’, somos o futuro. Não vêm para aqui primeiros-ministros ler discursos. Toda a gente está no mesmo barco, não há hierarquias. E criámos um laço muito forte com Cascais. Horasis é Cascais. Vamos ficar aqui por muitos anos”, afirma o alemão ao DV.

Frank-Jürgen Richter não hesita em classificar Portugal como a “nova Silicon Valley da Europa”. Por conhecer pessoalmente todos os participantes da conferência, sabe que há alguns que acabam por ficar. “Vimos isso no ano passado. Há empresários que vêm ao encontro e acabam por investir em Portugal, ou trazem para cá uma parte das suas empresas. Alguns acabam até por comprar casa”.

O potencial de investimento do evento não passa despercebido ao Governo, que faz questão de marcar presença. “É muito importante que estes participantes fiquem a conhecer Portugal. Há aqui um conjunto de líderes de opinião que têm influência em vários níveis. Por isso é importante vir aqui falar com eles e interessá-los pelo país. Este contacto poderá ser promissor, nomeadamente na área das novas tecnologias ligadas à indústria 4.0. Falei aqui com um especialista norte-americano em blockchain que se mostrou interessado em trazer empresas para Portugal. Só está aqui há algumas horas e já está maravilhado. Já trocámos cartões e vamos manter-nos em contacto”, nota a Secretária de Estado da Indústria, Ana Lehman.

O americano é Mark Mueller-Eberstein. O CEO da consultora Adgetec Corporation veio de Seattle para falar de blockchain, a tecnologia que está por trás das moedas virtuais. Na bagagem de regresso, confirma que leva boas referências de Portugal. “Além de consultor também sou investidor. Tenho várias empresas no meu porfolio e estamos a estudar mercados onde possamos criar raízes e crescer internacionalmente a partir daí. É necessário ter a jurisdição adequada, uma regulação clara e mão de obra qualificada. Estou muito impressionado com Portugal. Até agora tínhamos estudado destinos como Malta ou Gibraltar, mas agora vemos aqui fortes possibilidades. E confesso que me espantou muito ouvir a secretária de Estado a convidar abertamente as empresas de blockchain a estabelecerem-se em Portugal”, salienta.

A conferência, que arrancou no sábado, estende-se até amanhã. Pelo auditório do Centro de Congressos do Estoril passaram nomes como o ex-presidente do Egipto e Prémio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei ou o chairman da Goldman Sachs, Durão Barroso (ver caixa). Para o ano, Cascais volta a receber a cimeira que quer ser a Davos 4.0.

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