O roteiro menos mainstream de Portugal

O roteiro menos mainstream de Portugal

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Se da última vez que nos encontramos lhe falei de 10 motivos que vão pôr o mundo a falar de Portugal, desta vez falo-lhe baixinho, ao ouvido, porque é quase segredo aquilo que lhe vou contar nas próximas linhas…

Ilha do Pico – Açores

Que os Açores são nove das nossas Maravilhas, já toda a gente sabe. Contudo, nem todas as ilhas têm a mesma “projeção” turística. E ainda bem, pois há sempre um motivo para voltar a este arquipélago. Um dos motivos é o ponto mais alto de Portugal e está situado a 2.351 metros acima do nível médio do mar. É um local privilegiado da Reserva Natural da Montanha do Pico, cuja vista panorâmica sobre a própria ilha,  as ilhas vizinhas e o vasto Oceano Atlântico são de cortar a respiração. Tal como o caminho para lá chegar, mas que isso não seja desmoralizador… a Ilha do Pico vale todo o esforço físico que possa dispender.

Passadiços do Paiva

De volta ao continente, comecemos pelo Norte e por um percurso de 8Km, localizado na margem esquerda do Rio Paiva, no concelho de Arouca. Os Passadiços do Paiva ligam as praias fluviais do Areinho e do Espiunca, com a praia do Vau a surgir a meio. Mas se gosta mais de campo, tem também muito verde ao seu redor com carvalhos, freixos, sobreiros, amieiros, rochedos a surgirem no seu caminho. Biologia, geologia e arqueologia são disciplinas que podem ser estudadas ao vivo durante o passeio, mas não descure a gastronomia que, nesta zona, é uma lição muito bem dada.

Pedrógão Grande

2017 vai ficar, para sempre, marcado na memória da população portuguesa como o ano mais trágico de sempre no que aos incêndios florestais diz respeiro. Danos materiais, mas, sobretudo, as perdas humanas que se verificaram imprimiram um cunho negro na história do país. Pedrógão Grande foi uma das zonas mais afetadas pelos fogos e acabou por se tornar no “porta-estandarte” da tragédia. Contudo, o esforço que tem vindo a ser feito para que das cinzas se renasça e se evidencie o potencial turístico da zona é merecedor de uma visita sua. Assim nasceu o Centro de Interpretação Turística (CIT) de Pedrógão Grande para promover a oferta turística disponível na naquela região, nomeadamente, a divulgação das Aldeias de Xisto. Não deixe, porém, de dar também um mergulho nas Praias Fluviais das Rocas e do Mosteiro.

Ferreira do Zêzere

No coração de Portugal, bate uma terra de história e beleza natural ímpares. Das encostas verdejantes ao límpido rio Zêzere, esta zona de Portugal alia o que de mais perfeito a natureza criou e o homem construíu. Se é um adepto dos desportos náuticos, tem aqui locais privilegiados para a prática da canoagem, do wakeboard, do sky aquático, do remo ou do mergulho. Mas se é mais aficionado por cultura, não deixe de visitar a vila histórica de Dornes, também conhecida como a “Península Encantada”, onde pode encontrar a mágica Torre Templária de Dornes, uma construção pentagonal pertencente à Ordem dos Templários. No fim do dia, guarde ainda espaço para a gastronomia da região, nomeadamente, o peixe de rio – como não podia deixar de ser – o javali e o leitão, sem esquecer as sobremesas, como a tradicional tigelada. É terra para encontrar, de certeza, Bons Maridos e Boas Esposas.

Roteiro de Arte Urbana em Lisboa e arrredores

Chegamos à capital, onde, atualmente, é difícil encontrar algo que não esteja pejado de turistas. O desafio que lhe proponho é duplamente alternativo: alternativo aos roteiros mais turísticos da capital e alternativo na arte que o constitui. Desde a zona ribeirinha de Lisboa (mais precisamente, em Alcântara e também Belém), passando pela Damaia, Loures e atravessando o Tejo, em Cacilhas e na Cova da Piedade, são diversos os locais onde pode encontrar obras – sim, são mesmo peças de arte, não são rabiscos nas paredes – de artistas como Vhils, Bordalo II e Odeith. A Time Out, em tempos, fez o trabalho de casa, mas, se quiser descobrir por si mesmo, pode sempre descarregar a aplicação Lisbon Street Art (disponível apenas para Android) e fazer o seu próprio percurso.

Monsaraz

Guias, músicas, poemas, fotografias… já tudo falou do litoral alentejano e nunca se fala demais. Compreende-se: é impossível ficar indiferente àquelas praias… Mas se formos mais para o interior, não deixamos de ficar igualmente estarrecidos. É certo que Madonna já andou por lá a vaguear, mas vamos acreditar que Monsaraz continua um reduto pouco… comercial, digamos assim. Vizinha medieval do Guadiana, esta vila-museu com as suas ruas de xisto e as paredes das casas caiadas de branco tem uma vista deslumbrante, a partir do Castelo, sobre a planície alentejana e a albufeira do Alqueva. E já que estamos perto desta barragem, não deixe de aproveitar para dar um passeio de barco e se o tempo estiver convidativo, aventure-se num mergulho na Praia Fluvial de Monsaraz. Mas livre-se de não mergulhar de cabeça na gastronomia que este local oferece, tão bem regada com o melhor vinho da região.

Serra de Monchique

E se é no interior que estamos, pelo interior continuamos, mas agora, na região do Algarve. Acabamos o nosso roteiro em plena Serra de Monchique (onde, aliás, foi tirada a foto que ilustra este artigo), ou como delicadamente lhe chamam, o “jardim do Algarve”. Só por este epíteto facilmente se percebe que, por aqui, se pode encontrar uma enorme variedade de vegetação, onde, inclusivamente, existe a maior magnólia da Europa. Cascatas e termas (as Caldas de Monchique) revelam o poder benéfico e curador da água (bicarbonatada, sódica e rica em fluor) que brota das nascentes da serra. No centro da própria vila de Monchique, pode desfrutar de uma magnífica vista a partir do miradouro do parque são Sebastião e aproveitar para percorrer as estreitas ruas da vila, contemplando o vasto casario branco com as típicas chaminés de saia. Claro que não se pode ir embora sem uma viagem pelos sabores algarvios, sobretudo, os que habitam esta região vai para vários séculos. Desde os enchidos à célebre couve à Monchique, terminando nos divinais doces algarvios – onde se destaca o Bolo de Tacho/Maio, à base de mel, produzido apenas em Monchique, no dia primeiro dia de Maio – este é, com certeza, o final mais doce para este roteiro.

 

Photo Credits: Jorge Miranda

About author

Tatiana Mota

Nascida em Lisboa, criada em Lisboa, vida em Lisboa. Lisboa corre-me nas veias desde 1983. Apesar de ser licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de... Lisboa, o gosto pela escrita sempre foi maior que o amor pela leitura dos calhamaços. O Direito já lá vai, mas a vontade de escrever e, sobretudo, de dar a conhecer o que há de novo e de melhor na minha cidade, está sempre comigo. Não consigo viver sem arte: música, cinema, teatro, exposições... tudo o que provoca emoções, reações, sensações! Peço perdão pelo excesso de aliteração, mas rimar com (figura de) estilo está-me no coração. Ou não fosse eu devota de Santo António de... Lisboa.

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