Viarco – Lápis é coisa do futuro

Viarco – Lápis é coisa do futuro

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Mais um dia de aulas na escola primária. Mas este foi diferente. Para surpresa dos alunos, a professora distribuiu lápis pela turma. Eram lápis cheios de figuras e várias temáticas. Um com carros, outro com frutos, ainda outro com sinais de trânsito. Mas aquele que deixou os meus olhos a brilhar foi o lápis com a tabuada! Este passou a ser o meu melhor amigo e, ao contrário dos outros lápis, não cumpriu a função para que foi criado: escrever. Não. Este era o único que compreendia o meu desapego pela matemática e, por isso, acompanhou-me naqueles primeiros anos de estudo. Protegi-o sempre do apara-lápis.

Os lápis oferecidos naquela tarde eram, disse a professora, da Viarco e, desde então, esse nome tornou-se familiar. E bem merece! Aprendeu a escrever direito por linhas tortas, continua viva e com saúde, e já celebrou mais de 100 anos. É a única fábrica de lápis de Portugal e, há quem diga, da Península Ibérica.

A história

A história da Viarco tem início em 1907, em Vila do Conde, era ainda a Fábrica de Lápis Portugália. Foi o industrial sanjoanense Manoel Vieira Araújo que a rebaptizou e trouxe para a terra natal, onde a fábrica ainda hoje se mantém. De S. João da Madeira para o mundo saem lápis e outros materiais que fazem as delícias de crianças, artistas plásticos e muitos outros.

Entrar na fábrica da Viarco é como viajar numa máquina do tempo. A começar pelo velho edifício. Há cheiros que remetem para a infância e os bancos da escola, e máquinas, algumas centenárias, que continuam a cumprir a sua tarefa na perfeição. Tanto mudou e, afinal, pouco se alterou, pelo menos no que aos processos de fabrico diz respeito. Um deles é automático e pode produzir até 150 mil lápis por dia. Mas muito do que aqui se faz é manual e essa é uma vantagem em relação às grandes unidades de produção. A Viarco é exímia em pesquisar, experimentar e criar produtos diferenciados, à medida do cliente, e pode fazê-lo em quantidades reduzidas.

Tradicional e Inovadora

A Viarco viveu momentos áureos. Nesta fábrica foram produzidos lápis de cor, de cera. Mais tarde, lápis técnicos para os mais diversos ofícios. Nos anos da crise, não desistiu. Persistiu e, já nas mãos do bisneto do fundador, encontrou formas para sobreviver, passando por um momento de viragem no negócio. Daquelas máquinas históricas começaram a sair, por exemplo, lápis aromatizados, pasta e pó de grafite, lápis com próteses flexíveis – um portfólio de novos produtos, muitos deles premium. Riscos que valeram a pena.

Tradicional e inovadora, a Viarco marcou gerações de portugueses. Se marcou! O lápis da tabuada continua comigo, guardado, como uma bela recordação de infância da qual não consigo separar-me. Porque há amizades que são para sempre!

Photo Credits: Viarco

About author

Sónia Castro

“As raparigas do Norte (…) têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. (…) As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.” É Miguel Esteves Cardoso quem o diz e quem sou eu para contrariar? Nascida e criada no Norte, na minha alma cabe também Lisboa, cidade que escolhi abraçar. Tenho o canudo em Comunicação Social e mais umas quantas formações. Tenho fome de aprender e de executar. O dia-a- dia é passado no trabalho. Mas depois é hora de fazer teatro, dançar, cantarolar, viajar, ler e tanto mais. Eterna menina. Ouvinte. Escriba. Coerente e com contradições. Anseio por ir e regressar. Sonho com a invenção da máquina do tempo.

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