Web Summit divide ‘geringonça’

Web Summit divide ‘geringonça’

Artigo original por 3 Novembro 2018: Sapo

Portugal vai investir cerca de 11 milhões de euros por ano, durante 10 anos, para ser a casa da cimeira tecnológica. Mais as obras na FIL. Valência ofereceu cinco milhões por ano.

«A melhor conferência tecnológica do mundo», como avaliou a Forbes, regressa a Lisboa esta segunda-feira.

Durante quatro dias, a Web Summit recebe CEO’s de algumas das empresas tecnológicas mais conhecidas e fundadores de startups entre os cerca de 70 mil visitantes esperados.

Para receber a cimeira pela terceira vez consecutiva, Portugal propôs um apoio de 11 milhões de euros por ano à organização e o pai do evento, Paddy Cosgrave, não teve como dizer que não.

No entanto, o SOL sabe que este investimento de mais de uma centena de milhões de euros divide os socialistas e os partidos que apoiam a chamada ‘geringonça’.

Por um lado, no partido do Governo e que lidera também a Câmara de Lisboa, há quem não concorde com o acordo fechado com Paddy Cosgrave, pai do evento, que obriga a um investimento de 11 milhões de euros por ano nos próximos 10 anos, o que perfaz um valor total de 110 milhões de euros a sair das contas do estado.

Por outro lado, Luís Moreira Testa, também do PS, afirmou que este contrato é «extremamente positivo» para o país.

«Não só faz sentido este investimento, como é imprescindível. A persistência tornará o casamento entre a Web Summit e o país absolutamente insolúvel. Esse esforço que o país faz, só faz sentido se for prolongado», disse.

Já do lado do BE, Heitor de Souza assumiu não estar por dentro de todos os valores acordados, mas referiu que «o investimento é sempre positivo, mas em tese parece exagerado a 10 anos».

«Tenho dúvidas se um investimento por 10 anos faz sentido, para um evento que tem alguma variabilidade em termos de dimensão, porque agora está em alta, mas daqui a 10 anos ninguém sabe o que vai acontecer» explicou.

A proposta do Governo suplantou a de Valência, de cinco milhões de euros por ano, a única conhecida além da portuguesa. Em concurso estiveram também Madrid e Berlim.

Mais do que apenas o valor prometido de investimento anual, Portugal garantiu ser a casa da Web Summit comprometendo-se a aumentar a capacidade do evento para 100 mil participantes, o que pressupõe que sejam realizadas obras na FIL.

Além disto, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde pagaram à Connected Intelligence, empresa de que Cosgrave é sócio, 75 mil euros por um espaço expositivo na cimeira e, em publicidade, foi gasto um total de 34.666 euros.

No contrato ficou também acordada a cláusula que a Web Summit terá de pagar caso pretenda sair de Portugal antes de 2028, 340 milhões de euros por ano.

No início do mês de outubro, Paddy Cosgrave juntou-se a António Costa e Fernando Medina numa cerimónia onde foi confirmada a permanência da Web Summit em território luso.

«Isto é muito mais do que os 30 milhões de receita direta que Portugal encaixou», afirmou António Costa, referindo-se ao impacto económico das duas últimas edições.

Já Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, mostrou-se feliz com o acordo e disse que este «será decisivo para tornar Lisboa numa capital de excelência para a inovação, empreendedorismo e talento».

Como se trata de investimento, Manuel Caldeira Cabral, à época ainda ministro da Economia, teve uma palavra a dizer e defendeu que o aumento da capacidade do evento é reflexo de um aumento da receita fiscal.

Lisboa foi, pela terceira vez consecutiva, a cidade escolhida para acolher este evento, algo que também vai acontecer nos próximos 9 anos. «Com o escalar deste evento para mais de 100 mil pessoas, podemos estar a falar de uma receita fiscal que paga várias vezes este apoio que estamos a dar», disse Caldeira Cabral.

Antes do rio Tejo abraçar a cimeira, era em Dublin que se juntavam os maiores nomes da inovação tecnológica.

Depois de cinco anos na Irlanda, o Governo irlandês não conseguiu garantir as condições necessárias para este evento e Cosgrave acabou por ter necessidade de procurar outra cidade. O entusiasmo da comunidade tecnológica portuguesa falou mais alto.

Em 2016, o investimento foi de 1,3 milhões e, nesse ano, a mudança foi vista com bons olhos pela organização do evento, que acabou por ter em Portugal uma ‘galinha dos ovos de ouro’.

O evento conseguiu aumentar fortemente os lucros tanto líquidos como brutos. No total, ascenderam a 2,05 milhões de euros, 16 vezes mais do que no último ano em Dublin.

Em 2017, a Manders Terrace abriu em Lisboa a Web Summit Services, um escritório com 10 funcionários que fechou o ano passado com perdas de 330 mil euros e sem receitas.

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